Tim pode comprar Nextel

Tim pode comprar Nextel

Notícias veiculadas hoje na mídia dão conta de uma possível aquisição da Nextel pela Tim. A ofensiva sob a Nextel estaria sendo encabeçada pelo presidente mundial da Telecom Italia, Amos Genish, veterano do mercado brasileiro, que foi um dos fundadores da GVT e ex-presidente da Telefônica Brasil.

Em uma primeira análise a aquisição não parece muito relevante, afinal de contas, segundo dados da Teleco de julho de 2018, a Nextel tem apenas 1,33% de market share no mercado de operadoras de celular no Brasil. No entanto, a Nextel tem participação de mercado relevante em dois dos maiores mercados – os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

No estado do Rio de Janeiro, onde a Tim possui uma participação de mercado bastante inferior à sua média nacional – 23,96% no Brasil e 16,6% no Rio – a participação de mercado da Nextel atinge 6,93%. No estado de São Paulo, apesar da participação de mercado da Nextel ser inferior à do Rio, 2,93%, essa é superior em número total de linhas – 1.275.666 no Rio e 1.831.294 em São Paulo.

Logo, a Tim estaria adquirindo uma participação de mercado relevante no primeiro e no terceiro maiores mercados do país, em um setor onde o crescimento orgânico tem se tornado cada vez mais difícil, e no qual a Tim vem perdendo market share, embora de forma lenta, nos últimos anos.

A controladora da Nextel, NII Holdings, vem deixando o setor de telefonia em todo mundo, devido a seu alto endividamento. Isso somado aos recentes prejuízos auferidos pela Nextel, deveriam auxiliar a Tim na negociação de termos favoráveis para a aquisição. No entanto, um possível interesse de Vivo ou Claro na Nextel, como já foi noticiado no passado, poderia inflacionar o valor da aquisição.

Uma dificuldade para a conclusão da operação seriam a aprovação do CADE e da Anatel. No caso do CADE a recente queda da Tim para o terceiro lugar no mercado nacional e sua fraca presença no Rio de Janeiro, deveriam facilitar a aprovação. Já com relação a Anatel uma dificuldade seria que o spectrum cap estipulado pela agência seria superado em alguns mercados, como São Paulo. No entanto, parece que algum tipo de acordo poderia ser alcançado para a conclusão da operação.

Importante notar que essa operação poderia ser um primeiro passo para uma possível fusão entre Oi e Tim, já ventilada várias vezes no passado. Isso não parece provável nesse primeiro momento, existem diversas dificuldades para essa operação, entre elas as sérias dificuldades financeiras da Oi, atualmente em recuperação judicial, no entanto poderia ser um plano de médio prazo para a Tim, considerando os sempre ambiciosos planos de Amos Genish para o mercado brasileiro.

Considerando esse cenário, a Tim sempre foi considerada a compradora com maiores chances de ter sua aquisição da Oi aprovada pelos órgãos regulatórios, primeiramente por que tem uma atuação geográfica complementar a da Oi, ou seja resultaria em uma concentração de mercado menor que a dos outros dois concorrentes interessados na aquisição, ainda que a operação provavelmente vá ser alvo de algumas restrições. Complementarmente a isso existem indicações que uma possível proposta da Tim pela Oi seria baseada numa troca de ações o que poderia permitir aos acionistas da Oi a continuar tendo uma participação na empresa resultante, entre eles o governo brasileiro, que já deixou claro que não quer deixar totalmente o setor, através do BNDES.

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