Smiles e Gol – Problemas de Governança

Smiles e Gol – Problemas de Governança

A Smiles anunciou que irá adquirir 600 milhões de reais em créditos junto a Gol. Os créditos serão utilizados para compra futura de passagens aéreas emitidas pela companhia área.

Essa poderia ser uma operação casual, não fosse a “coincidência” de a Gol vir a ser a maior acionista da Smiles. Na prática, a operação parece apenas uma forma de transferência de caixa da Smiles para a Gol, tendo em vista os problemas financeiros que a companhia aérea atravessa. A recente valorização do dólar e a escalada nos preços do petróleo no mercado internacional só agravam essa situação.

Não é a primeira vez que a Gol se utiliza da companhia de fidelidade para reforçar seu caixa. A diminuição do pagamento de dividendos, em março deste ano, também foi vista como uma manobra para favorecer a Gol.

A recente oferta da Latam para fechamento do capital da Multiplus, após decidir não renovar o contrato com a empresa de fidelidade, só demonstra a relação de fragilidade dos acionistas minoritários nesse tipo de situação. Com relação a empresas que são controladas por suas maiores clientes, caso dos planos de fidelidade das companhias aéreas, essa situação é ainda mais desfavorável.

No caso da Smiles apesar de o fechamento de capital da companhia parecer improvável, a Gol sequer teria capacidade financeira para isso no momento, diversas medidas para auxiliar a Gol em detrimento da própria Smiles vem acontecendo de forma reiterada, e a piora da conjuntura para a Gol só deve intensificar tais medidas.

Dessa forma, todo investimento em empresas com esse tipo de problema de governança deve ser feito com muito cuidado, afinal um dia o acionista pode acordar e descobrir que as premissas que utilizou para embasar seu investimento deixaram de existir.

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