Saraiva no Novo Mercado?

Saraiva no Novo Mercado?

Segundo a coluna do Broadcast, publicada no Estadão do último domingo, a Saraiva contratou a gestora BR Partners para melhor sua estrutura de capital através de um aporte que poderia ser realizado mediante a emissão de debêntures conversíveis em ações. Em conjunto com a capitalização, que poderia ser de cerca de R$ 100 milhões de reais, a empresa teria a pretensão de realizar a migração de suas ações para o novo mercado da B3, o que resultaria na conversão de suas ações preferenciais em ações ordinárias.

A Saraiva, que já havia contratado a Galeazzi Associados para auxiliar em sua reestruturação operacional, não quis tecer comentários sobre o conteúdo da reportagem, mas confirmou a contratação de ambas as consultorias.

A notícia, caso confirmada, é extremamente positiva para a empresa. Em primeiro lugar pela possibilidade de uma possível melhora na gestão da empresa, que hoje está concentrada nas mãos da família fundadora que tem mais de 50% das ações com direito a voto, no entanto seria importante entender os termos de uma possível conversão das ações preferenciais para ordinárias antes de realizar um juízo de valor sobre a operação.

A possível emissão de debêntures conversíveis em ações auxiliaria a empresa a diminuir sua dívida bruta que em junho estava em cerca de R$ 296 milhões, enquanto suas disponibilidades de caixa eram inferiores a R$ 50 milhões. No último trimestre a empresa auferiu prejuízo de 37 milhões.

O mercado de livrarias está sob uma rápida transformação. A FNAC deixou o país, pagando a Cultura para assumir suas operações. A própria Cultura passa por uma crise e já fechou quase todas as lojas que assumiu da FNAC, e segundo notícias da imprensa, sequer está recebendo novos lançamentos das editoras devido a atrasos nos pagamentos.

A própria Saraiva, segundo a imprensa, atrasou pagamento para editoras em determinado momento do ano. A dificuldade da Saraiva, e de suas concorrentes tradicionais, vêm das transformações do mercado com a entrada de concorrentes que atuam exclusivamente via e-commerce e que tem menores custos do que as livrarias tradicionais, o maior exponente dessas empresas é a Amazon. Outro sinal de alerta é o pequeno, porém crescente mercado de e-books, que é basicamente dominado pelo Kindle da Amazon.

Além da Amazon, outros concorrentes nacionais focados na venda de livros novos e usados, como o estande virtual, roubaram participação de mercado das livrarias tradicionais.

O diferencial específico da Saraiva, embora também seja seu maior custo, é a localização e tamanho de suas lojas, a partir das quais a empresa pode comercializar outros produtos, além dos livros. Um dos focos da empresa com a capitalização, de acordo com a nota a coluna do broadcast, seria a venda de materiais escolares para o ano de 2019.

Os desafios à frente da Saraiva não são pequenos, mas caso confirmadas, a capitalização e a migração para o novo mercado, dariam as condições para a empresa finalizar sua reorganização operacional, dando maior foco ao e-commerce e, possivelmente, utilizando suas lojas físicas para comercializar novos tipos de produtos.

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