Queiroz Galvão bom ou mau momento para a ação?

Queiroz Galvão bom ou mau momento para a ação?

A Queiroz Galvão Exploração e Produção (“QGEP3”) apareceu constantemente no noticiário nos últimos dias por duas razões: i) Os problemas financeiros de sua controladora, Queiroz Galvão; e ii) A decisão arbitral que transferiu a participação da Dommo no Bloco BS-4 para a empresa e para a Barra Energia.

O Grupo Queiroz Galvão, do qual a QGEP3 faz parte, vêm atravessando dificuldades financeiras desde o início da Operação Lava-Jato. A situação se aprofundou nas últimas semanas com a proximidade de vencimentos de dívidas de empresas do grupo. Essa situação não é confortável para a QGEP3, no entanto não vem afetando a empresa diretamente.

No último trimestre a empresa auferiu lucro de 75 milhões, e suas disponibilidades de caixa, valor próximo a 1,7 bilhão, superam amplamente sua dívida bruta, de cerca de R$ 307 milhões. O risco aparente seria a Queiroz Galvão, por ser controladora da QGEP3, propor a distribuição da maior parte do caixa da empresa a título de dividendos, sendo que a QGEP3 ainda possui investimentos relevantes a serem realizados no futuro, mas isso não aconteceu até o momento.

A possibilidade de as ações da QGEP3 serem apresentadas como garantia aos bancos não deve afetar o dia a dia ou as condições financeiras da companhia, na realidade a atual situação da Queiroz Galvão, considerando o preço do petróleo acima de U$ 80 dólares, e provavelmente subindo mais no curto prazo, poderia resultar na venda do controle da QGEP3, possivelmente, com um prêmio considerável sob o seu atual valor de mercado.

Com relação ao processo relacionado ao Bloco BS-4, formado pelos campos de Atlanta e Olivia, a Barra Energia solicitou a expulsão da Dommo do consórcio de exploração do bloco, tendo em vista que a Dommo tem uma dívida de R$ 71 milhões junto as outras duas consorciadas desde o ano de 2013.

O processo de expulsão foi para julgamento perante a London Court of International Arbitration – LCIA, que decidiu pela expulsão da Dommo do consórcio. Por mais que a decisão ainda possa ser alvo de recurso, nesse momento, as chances da Dommo reverter a decisão parecem diminutas.

Dessa forma, considerando, o valor pelo qual a QGEP3 comprou sua participação de 30% no Bloco BS-4, U$157,5 milhões, o valo da participação adicional, 20%, que a QGEP3 obteve a partir da decisão da corte arbitral estaria avaliada em cerca de 105 milhões de dólares. Utilizando o câmbio de 4 reais como base, o valor dessa participação seria de cerca de 420 milhões de reais.

Considerando esse valor, que pode ser considerado conservador observando o atual estágio de desenvolvimento do bloco, assim como as estimativas atualizadas da quantidade barris de óleo recuperável no campo de Atlanta, a QGEP3 deveria ter uma valorização adicional de cerca de 22% considerando a cotação da empresa no dia anterior a divulgação da decisão arbitral (25/09).

Portanto, tendo em vista ainda a possibilidade de uma maior valorização do valor do barril de petróleo no mercado internacional, o valor da cotação da QGEP3, mesmo com a crise de sua controladora, parece convidativo para o investidor, sendo necessária, no entanto, a ressalva de que a depender do resultado das eleições presidenciais o dólar poderia sofrer uma acentuada desvalorização o que poderia afetar as receitas da companhia.

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