O possível renascimento das empresas sucroalcooleiras

O possível renascimento das empresas sucroalcooleiras

Notícias do último final de semana dão contas de que 56% dos veículos no estado de São Paulo já são abastecidos com etanol. Esse recente crescimento do consumo de etanol está intimamente ligado ao aumento do preço do petróleo, que superou o patamar de U$ 85 dólares nos últimos dias.

Com a subida do preço do petróleo o setor de etanol, que vinha de uma crise profunda nos últimos anos, encontra uma possibilidade ressurgir no país. Mesmo com o aumento da produção, que deve aumentar cerca de 25% esse ano segundo a Única, – União da Indústria de Cana-de-açúcar -, o preço de comercialização do etanol deve subir devido à alta demanda.

Adicionalmente, ontem a China anunciou a ampliação de seu regime tarifário para todos os exportadores de açúcar. Esse regime que vinha sendo aplicado apenas em face de Brasil e Tailândia prejudicou particularmente os produtores brasileiros. Como exemplo entre outubro de 2016 e março de 2017 o Brasil representava cerca de 70% das importações de açúcar da China. Após a imposição do regime tarifário, analisando a mesma amostragem de tempo, as exportações brasileiras passaram a representar somente 8% das importações chinesas.

Considerando a conjectura demonstrada acima, parece existir a possibilidade real dos produtores brasileiros aumentarem tanto as vendas de açúcar quanto de etanol no próximo ano. Em especial os preços do etanol têm potencial de valoração, considerando que a cotação do petróleo tende a subir ainda mais no mercado internacional nos próximos meses. Fundamental, notar que as vendas de etanol podem sofrer caso o novo presidente decida alterar o regime de preços da Petrobrás.

Logo, as empresas produtoras de açúcar e etanol listadas em bolsa podem se beneficiar dessa nova conjuntura nos próximos meses. A empresa de melhor performance operacional, São Martinho, pode se beneficiar mais financeiramente, mas como suas cotações já estão em um nível elevado o seu potencial de valorização pode ser menor do que o da empresa mais endividada do setor – Biosev.

A Biosev vem sofrendo há anos com seu elevado endividamento e com os altos custos de produção da empresa. Uma tentativa de reescalonamento da dívida foi feita esse ano com um aumento de capital ancorado por seu controlador, Louis Dreyfus. Com esse aumento de capital a empresa quitou parte de suas dívidas e adiou o prazo de vencimento das dívidas restantes.

Com esse novo cenário, caso a empresa saiba aproveita-lo, uma recuperação da Biosev no médio prazo parece possível. Apesar da aposta nas ações da empresa ainda ser arriscada o potencial de valorização é exponencial.

A maior empresa ligada ao setor, Cosan, por mais que também venha a ser beneficiada pelo cenário descrito, não deve sofrer uma variação tão expressiva em suas cotações, tendo em vista que a maior parte de seu faturamento está atrelado a atividades em outros mercados.

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