O investimento da Jefferies no Marfrig

O investimento da Jefferies no Marfrig

O Marfrig foi mencionado diversas vezes no noticiário corporativo nas últimas semanas. A primeira dessa onda de notícias foi a aquisição de participação adicional, de 31%, na National Beef, por US$ 860 milhões, mais cerca de US$ 110 milhões que serão pagos a título de dividendos, referentes ao ano de 2019, de titularidade do fundo Jefferies Financial Group.

Importante notar que, em abril de 2018, a Marfrig comprou o controle da National Beef, 51%, por cerca de US$ 969 milhões, ou seja, em pouco mais de um ano uma participação de 31% do frigorifico norte-americano foi adquirida pela empresa brasileira por valor semelhante ao qual a mesma havia pago, um ano antes, pelo controle do National Beef.

Por um lado, isso demonstra o momento excepcional do setor de carnes nos Estados Unidos, e os impactos da gripe suína africana sob os rebanhos de porcos da China, que resultaram em um aumento dos preços de todos os tipos de proteína animal.

No entanto, a venda de participação pelo Jefferies, um fundo, poderia sinalizar que o mesmo identificou um pico no mercado norte-americano de bovinos e resolveu vender suas ações na Nationa Beef nesse momento por não acreditar em uma valorização adicional do negócio.
Isso poderia representar um risco para o Marfrig no médio prazo, considerando que o Jefferies era acionista da National Beef antes da empresa brasileira e tinha um conhecimento profundo do negócio. Ademais não precisava realizar a venda de sua participação nesse momento, considerando que possuía uma opção (put) futura de venda de sua participação.

Notícia veiculada ontem pela Reuters veio aplacar essa preocupação. Segundo a notícia o Jefferies pretende investir cerca de 50 milhões de dólares no aumento de capital do Marfrig que será realizado nas próximas semanas. Importante pontuar que o valor a ser investido corresponde a apenas cerca de 5% do valor arrecadado com a venda de sua participação – mais dividendos – da National Beef, ou seja, o fundo diminuiu sua exposição ao setor. Entretanto considerando apenas o aumento de capital da Marfrig, sem contabilizar a oferta secundária de venda de ações do BNDES, avaliada em R$2 bilhões, o fundo adquiriu cerca de 20% da oferta primária da Marfrig. Dessa forma, o fundo demonstra uma confiança nos ativos e na gestão da empresa brasileira. Vale lembrar que a Jefferies era acionista apenas da National Beef, e não da Marfrig, que detém diversos outros ativos além do controle da companhia norte-americana.

Essa não é a única boa notícia à empresa. A venda de participação do BNDES tira a sombra da intervenção estatal da empresa, além de diminuir potenciais exposições a casos de corrupção. Isso somado as iniciativas no mercado de carne vegetal projetam, ao menos considerando o atual cenário, um futuro promissor para a empresa, que durante muito tempo foi a mais questionada dentre as empresas do setor de proteína animal listadas na B3.

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