O Futuro da Braskem

O Futuro da Braskem

Previsões sobre o futuro da Braskem não são simples. A empresa vem lidando com situações além do seu controle há anos.

A deflagração da Lava-Jato abalou seus dois principais acionistas. A Petrobras e a Odebredcht passaram por maus bocados em decorrência de seu envolvimento em escândalos de corrupção. Enquanto a Petrobras recuperou a lucratividade e a higidez financeira nos últimos anos, a situação da Odebrecht só se deteriorou. O grupo entrou com o pedido de recuperação judicial, que foi aceito pela justiça em junho de 2019.

A Braskem também teve problemas devido a investigações dos contratos de compra de nafta firmados junto a Petrobras, que levaram não só ao pagamento de multas, no Brasil e no exterior, como ao atraso da entrega do F-20 da empresa perante à SEC.

No início do ano existia uma expectativa concreta da venda do controle da Braskem à LyondellBasell. O valor da potencial proposta para compra da Braskem ultrapassou o valor de R$ 50 reais por ação. As negociações naufragaram devido aos problemas com a SEC, e, em especial, ao problemas que a empresa enfrenta no município de Maceió. Bairros da cidade próximos a minas de exploração de sal-gema da Braskem passaram a “afundar” devido a fragilidade do solo.

Laudo da CPRM responsabilizou a empresa, o que levou a ações perante o poder judiciário cobrando valores acima de R$ 6 bilhões da empresa, a título de reparação de danos. A empresa apresentou laudos privados contestando as conclusões do CPRM, mas a guerra judicial continua. Na última semana o presidente da Braskem, Fernando Musa, foi a audiência pública no Congresso para anunciar medidas da empresa nos bairros afetados.

A ideia da empresa, segundo a mídia, era fechar um acordo sobre a questão antes do início da próxima eleição municipal, que ocorrerá no próximo ano, mas o tema já foi politizado, dificultando um acordo antes da eleição.

Nas últimas semana saíram notícias que a Petrobras gostaria de substituir o presidente da empresa, no entanto a Odebrecht, a quem cabe indicar o executivo, segundo o acordo de acionistas da empresa, bancou o executivo Fernando Musa.

Nesse clima de instabilidade a empresa anunciou uma grande reorganização interna, que deve culminar em extinção de diversos cargos de gerência, diretoria, e até, vice-presidência, de forma a reduzir custos. Em paralelo, também tem planos de aumentar sua presença no mercado asiático, seja via um maior número de vendas para o continente, ou no futuro, via construção de instalações na região.

Essa nova visão, contemplando o mercado asiático, não só faz sentido comercialmente, como pode envolver um novo caminho para a venda da companhia. O bom relacionamento do atual governo com a Arabia Saudita, assim como os planos do governo saudita de diversificação da economia do país, passando pelo IPO da Saudi Aramco, pode resultar na aquisição da Braskem pela Sabic (controlada pela Saudi Aramco).

Analisando todo o panorama mundial do setor petroquímico resta claro que, a parte os problemas em Alagoas, a Braskem é a grande noiva do setor, e com um dos seus principais acionistas vendendo participações nos ativos não essenciais à exploração de petróleo e a outra em recuperação judicial, parece questão de tempo a venda da Braskem, e a valores superiores a atual cotação das ações (na faixa dos 30 reais).

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