Natura pode comprar Avon segundo Wall Street Journal

Natura pode comprar Avon segundo Wall Street Journal

Segundo notícia divulgada pelo Wall Street Journal, no final da tarde desta segunda-feira, 17/09, a Natura teria interesse em adquirir o controle da norte-americana Avon. As ações da Avon dispararam mais de 19%, no aftermarket da Bolsa de Nova Iorque, com o possível interesse da empresa brasileira.

Em primeiro lugar, é importante destacar o apetite da Natura para acelerar sua internacionalização. Há pouco mais de um ano a Natura adquiriu,  junto a L’Oreal, a rede de lojas The Body Shop por cerca de 1 bilhão de euros.

A primeira vista a aquisição da Avon poderia ser considerada muito mais complexa do que a da The Body Shop, tendo em vista que a rede de lojas faturou 1,4 bilhão de dólares em 2017 contra 5,7 bilhões de dólares da Avon. No entanto, devido a resultados piores que os estimados nos últimos resultados trimestrais, o valor de mercado da Avon, já contabilizada a subida de 19% no aftermarket hoje, é de cerca de apenas 1 bilhão de dólares.

Logo, a Natura poderia realizar uma oferta pelo controle da Avon, possivelmente, por um valor inferior ao da aquisição da The Body Shop. As empresas possuem um modelo de vendas direto, através de revendedoras, bastante semelhante, o que poderia resultar em sinergias relevantes.

A operação poderia enfrentar contestações no CADE, a depender dos critérios utilizados para analisar o mercado, já que considerando vendas diretas de cosméticos estaria ocorrendo a união entre a primeira e a segunda colocadas do mercado. Entretanto, com a recente entrada de diversas outras empresas no mercado de cosméticos e o aumento das vendas via internet parece que essas preocupações poderiam ser aplacadas.

A Avon tem uma participação relevante em outros países na venda de cosméticos através de revendedoras, sendo, segundos dados de 2015, líder no México, Rússia, Filipinas, Rússia, Argentina, Turquia, Polônia e Rússia.

Como já mencionado acima, mesmo com toda crise atravessada pela empresa, a Avon faturou 5,7 bilhão de dólares em 2017,  o que, considerando o câmbio atual, é próximo do dobro do faturamento da Natura no mesmo ano, cerca de 12 bilhões de reais.

Por outro lado, a Natura vem justamente tentando introduzir seus negócios na era da internet, através de maiores investimentos em sua plataforma para vendas via e-commerce, de forma a concorrer em pé de igualdade com concorrentes nacionais e internacionais, em especial o Boticário.

Do ponto de vista financeiro, considerando a atual cotação do dólar frente ao real, a Natura não conseguiria adquirir o controle da Avon apenas com recursos próprios. A empresa tem hoje cerca de 2 bilhões de reais em caixa e uma dívida de 8 bilhões de reais.

No entanto, não parece que a empresa teria grandes dificuldades de conseguir levantar o valor via financiamento, embora seja importante pontuar que caso não consiga um turnaround rápido nas operações da Avon, tornando estas lucrativas novamente, poderia se encontrar rapidamente com um endividamento bastante elevado.

Uma opção seria pagar uma parte do valor da aquisição distribuindo ações da Natura para os atuais acionistas da Avon, já que a Natura, mesmo com uma queda de 18% no valor de suas ações nos últimos 12 meses, vale cerca de 12 bilhões de reais. Importante pontuar que essa opção não parece tão provável, uma vez que poderia resultar na perda do controle da empresa pelos atuais acionistas controladores, tendo em vista a diluição de sua participação que seria provocada pelo negócio. Atualmente, os acionistas controladores tem cerca de 59% do capital da empresa.

Logo, a Natura pode estar diante da maior possibilidade de crescimento de sua história, levando-se em conta a oportunidade única de comprar sua maior concorrente, por um fração de seu próprio valor de mercado, mas correndo o risco de se amarrar ainda  mais a uma estratégia de vendas que parece antiquada, e que a empresa busca modernizar sem confrontar seus maiores clientes – suas próprias revendedoras. O risco parece tentador, e a depender dos termos da possível oferta de compra, e caso a empresa tenha confiança no seu sempre elogiado management para tocar uma empresa resultante da operação com uma diversidade geográfica muito maior que a atual, a Natura poderá estar dando o maior passo de sua história, e – por que não – um dos maiores de uma empresa brasileira em todos os tempos.

 

 

 

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