Kepler Weber: A nova aposta da Tarpon?

Kepler Weber: A nova aposta da Tarpon?

Na última semana a Tarpon, após a conclusão da venda de sua participação na Somos Educação para a Kroton, comemorou o início de sua volta por cima. A gestora, fundada há mais de 15 anos por três jovens sócios, José Carlos Magalhães, Pedro Faria e Eduardo Mufarej, passou por um inferno astral desde o final de 2016, devido a questionamentos sobre seu investimento na BRF.

A gestora esteve diretamente envolvida na gestão da empresa de proteína animal durante o período em que seus resultados, depois de uma melhora em um primeiro momento, pioraram de forma substancial. Pedro Faria, um dos sócios da gestora, foi presidente da BRF no período entre 2015 e 2017. Após um início promissor, com a empresa atingindo o maior lucro de sua história em 2015, a empresa registrou prejuízos nos anos seguintes e, ainda mais grave, foi alvo da operação Carne Fraca, que culminou, além de diversas acusações de falsificação de resultados sanitários, na prisão temporária do ex-presidente da BRF, e um dos fundadores da Tarpon, Pedro Faria.

Em meio à crise a Tarpon enfrentou diversos saques de investidores de seus fundos, e a desvalorização de suas ações na Bovespa. No final de 2017, a Tarpon fechou a venda de sua participação na Cremer por cerca de R$ 500 milhões. Esse valor corresponde a um retorno de 24,5% ao ano desde o primeiro investimento da Tarpon na empresa, realizado há cerca de 10 anos.

Em abril de 2018 a Tarpon anunciou a venda de sua participação na Somos Educação por cerca de R$ 4,57 bilhões de reais. A Tarpon adquiriu sua participação na Somos Educação por R$ 1,8 bilhão de reais em 2015. Ou seja, um retorno superior a 100% em 3 anos.

Após a venda da Somos, aprovada pelo CADE na última semana, o único investimento remanescente relevante da Tarpon em empresas listadas na bolsa brasileira foi o na empresa de energia Omega. Isso até a última sexta-feira, quando a Kepler Weber anunciou ao mercado que recebeu uma correspondência da Tarpon de que está havia adquirido 5,02% de seu capital social.

A Kepler Weber é uma empresa que atua na armazenagem de grãos, e é líder de mercado na América Latina. Em fevereiro de 2017 os dois maiores acionistas da Kepler Weber, Previ e BB-Investimentos, acertaram a venda de suas ações, que representam cerca de 35% do capital da empresa, para a multinacional AGCO por cerca de R$ 22 reais a ação. A oferta, no entanto, tinha como condição precedente que outros acionistas também deveriam concordar em alienar suas ações permitindo a AGCO atingir, no mínimo, 65% do capital da Kepler. A oferta avaliava a empresa em R$ 579 milhões de reais. No final do ano passado a AGCO desistiu da oferta, provavelmente por não conseguir a adesão de 65% dos acionistas da empresa.

Desde a desistência da AGCO a ação da Kepler Weber caiu de um valor próximo a R$ 22,00 reais para R$ 8,60, valor de fechamento na última sexta. A Kepler vem apresentado prejuízos desde 2016, e após apresentar um prejuízo recorde no 2 trimestre de 2018 contratou um novo presidente, Piero Abbondi, ex-presidente para a América Latina da GSI, empresa do grupo da AGCO.

No atual cenário, em que a empresa busca um turnaround, o investimento da Tarpon chama a atenção. O valor das ações da Kepler parece baixo, no entanto a ausência de recuperação nos resultados da empresa nos últimos três anos é preocupante. Além do mais, nos últimos anos concorrentes estrangeiros adentraram no mercado brasileiro através de aquisições. Por outro lado, a dívida da empresa é baixa, seu caixa é razoável, e ela continua líder inconteste no mercado brasileiro e latino-americano.

A Tarpon, excetuando a experiência malfadada da BRF, tem a expertise de adquirir e valorizar empresas, em especial a partir do corte de gastos. No caso da Kepler, parece improvável que o investimento da Tarpon será apenas de 5% da empresa, o que não significa que a Tarpon pretenda adquirir o controle da Kepler, mas sim que, pelo seu histórico de atuação, a Tarpon não irá se contentar com uma posição tão minoritária na companhia. O potencial de valorização da Kepler é exponencial, basta lembrar que há menos de 2 anos um concorrente ofereceu quase o triplo de seu atual valor em bolsa. A entrada de uma gestora como a Tarpon deveria auxiliar no turndaround da companhia, mas, não custa lembrar, após o case da BRF, não é apenas a Kepler que está sob prova, mas a própria Tarpon.

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