Joint-venture para produção do KC 390. Uma boa notícia para Embraer?

Joint-venture para produção do KC 390. Uma boa notícia para Embraer?

Segundo reportagem do Valor Econômico da última segunda-feira, a Embraer pretende constituir uma joint-venture com a Boeing para a produção do KC-390 em território norte-americano. A Embraer seria a controladora dessa nova empresa, com 51% de seu capital, enquanto a Boeing seria titular de 49% das ações.

Em um primeiro momento, a constituição da joint-venture pode parecer estranha, por que, afinal de contas, a Embraer daria quase metade de sua receita com as vendas do KC-390 para a Boeing? No entanto, a associação com uma empresa norte-americana é quase obrigatória para conseguir contratos com o governo norte-americano.

A instalação de uma linha de montagem nos Estados Unidos também permite um acesso mais fácil a nações aliadas dos EUA dentro do programa Foreign Military Sales (FMS), que contempla alguns países, como: Japão, Coréia do Sul, Israel, Austrália, dentre outros. Ademais, as vendas da Embraer oriundas da linha de montagem de Gavião Peixoto, ao que parece, não seriam incluídas na Joint-Venture.

A Embraer já acertou a venda de 28 aviões para a FAB, por um valor total de cerca de R$ 7,2 bilhões. Utilizando esse referencial o valor do KC-390 seria de cerca de R$ 257 milhões por unidade.

Segundo estudos existem hoje cerca de 3,7 mil aviões cargueiros militares no mundo, com uma idade média de 35 anos. Isso gera um potencial de mercado de 2 mil cargueiros nos próximos 20 anos. O cargueiro que domina o mercado hoje é o C-130 Hércules, fabricado pela Lockheed. O C-130 Hércules é um modelo antigo o que poderia abrir a possibilidade de o KC-390 conquistar uma parte relevante desse mercado.

Dessa forma, caso a Embraer conquistasse cerca de 1/3 do mercado potencial, cerca de 666 aviões, o que parece factível a partir de um acordo com a Boeing, isso poderia representar uma receita superior a 17 bilhões. Considerando que a Embraer auferiu receitas de R$ 17,5 bilhões em 2017, mesmo que esse valor fosse espaçado por um período de 20 anos corresponderia a cerca de R$ 855 milhões por ano.

Considerando que parte considerável das vendas seria realizada via joint-venture, onde a Boeing teria direito a 49% dos valores, parece factível estimar ao menos uma receita anual de R$ 500 milhões por ano para a Embraer com vendas do KC-390. Importante notar que esses valores são extremamente conservadores, tendo em vista que em um único contrato a Força Aérea Norte Americana poderá adquirir cerca de U$ 3.5 bi de dólares do A-29 Supertucano, avião produzido pela Embraer que tem um valor de mercado sensivelmente inferior ao do KC-390.

Logo, a notícia da constituição da joint-venture, caso confirmada, pode alavancar as vendas do KC-390, e, potencialmente, mudar drasticamente o valor da divisão de segurança da Embraer, que não foi incluída no acordo anteriormente firmado com a Boeing que envolveu apenas a área de jatos comerciais.

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