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IMC e Sapore o casamento que se encerrou antes da consumação

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Ontem, antes do início do pregão, a IMC anunciou a rescisão de um acordo de fusão que havia firmado com a Sapore.

Inicialmente, é necessário retomar o histórico da IMC. A empresa, constituída pelo fundo Advent e conhecida especialmente por ser a proprietária das redes Frango Assado e Viena, realizou sua abertura de capital no Ibovespa no ano de 2011. Após uma breve lua-de mel com o mercado, que teve seu ápice no ano de 2013, a empresa entrou em um período de constante desvalorização.

Apesar de a IMC possuir bons ativos, com marcas conhecidas, desde sua constituição teve dificuldades de apresentar os resultados que o mercado esperava. Isso pode, em parte, ser explicado pela falta de sinergias e complementariedades entre os ativos da empresa, que envolviam uma empresa de catering aéreo, uma rede de estabelecimentos multisserviços e redes de restaurantes.

Em novembro de 2017 o fundo Advent vendeu a maior parte do restante de sua participação na empresa, cerca de 27% do capital social da IMC, por R$ 8,00 a ação através de uma oferta pública no Ibovespa. O Advent continuou com uma participação de 10% no capital da IMC.

No início do ano de 2018, fevereiro, a Sapore, companhia de refeições coletivas, propôs um acordo de fusão com a IMC, no qual o fundador da Sapore, Daniel Mendez, se tornaria o controlador da empresa resultante, com cerca de 50,5% de seu capital. Os acionistas da IMC recusaram a proposta.

Uma nova proposta foi realizada pela Sapore, e aceita pelos acionistas da IMC, na qual a Sapore iria adquirir 25% das ações da IMC pelo valor de 9,30 por ação, e após uma redução do capital social da IMC, sua participação atingiria cerca de 41,79%.

Como já mencionado a IMC optou pela rescisão do acordo de fusão devido a divergências com a Sapore com relação aos números dos balanços que deveriam servir de base para a avaliação dos negócios das empresas.

A não consumação do negócio deixa a IMC em uma posição curiosa. A empresa, como já ressaltado anteriormente, sempre teve ativos interessantes, mas que não necessariamente possuem sinergias ou complementariedade entre si. Atualmente, essa situação fica potencializada pelo fato de a empresa ter o capital pulverizado entre diversos acionistas, o que dificulta uma tomada de decisões acelerada, que poderia permitir a empresa finalizar seu processo de reestruturação.

Nos jornais de hoje surgem especulações de uma eventual proposta pelo controle da IMC que seria formulada em conjunto pela Sapore e pela Kinea – fundo ligado ao Itaú. A oferta seria de R$ 8,30 por ação da IMC. Fundamental, destacar que o Itaú recentemente atingiu uma participação de 10% no capital da IMC.

A decisão de venda ou não da IMC não é simples, a empresa parece ter potencial para valer substancialmente mais do que o seu valor de mercado hoje, principalmente após sua desvalorização dos últimos dois dias, no entanto sem uma estratégia clara esse potencial pode nunca se concretizar. Sob essa ótica a venda poderia parecer a saída mais confortável para os acionistas da companhia. Considerando o fechamento de hoje da ação, R$ 6,57, mesmo uma oferta de 8,30 corresponderia a uma valorização de 26%.

Outro possível movimento da empresa seria procurar outros potenciais interessados na compra de seu controle, dois nomes que vem à mente são a BrazilFastFoodService, dona das redes Bob’s e que tem acordo de licenciamento das marcas KFC e Pizza Hut no Brasil, e o fundo Vinci, que recentemente adquiriu a Domino’s no Brasil e é um dos maiores acionistas da filial brasileira do Burger King.

Outra possibilidade seria vender os ativos da IMC separadamente, a empresa parece valer mais que “a soma de suas partes”, e a venda dos diferentes ativos que a empresa possui de forma separada poderiam resultar em um valuation “global” superior a simples venda de seu controle, visto que o valor de alguns de seus ativos, provavelmente, não seria bem dimensionada com a venda do controle integral da companhia.