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Fundo Alaska assume controle da Log-In

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Na sexta-feira, após o fechamento do mercado, o Fundo Alaska anunciou que atingiu a participação de 50,01% no capital social da Log-In, passando, na prática, a ser o controlador da empresa.

A Log-In, empresa de logística intermodal, focada principalmente em de atividades de navegação costeira, foi uma subsidiária integral da Vale até o ano de 2007, quando abriu seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo.

No ano de 2013, a Vale decidiu alienar o restante da participação que ainda detinha na empresa, 30% das ações, por cerca de R$ 234,8 milhões de reais. Após a saída da Vale e de outros acionistas relevantes, a empresa passou por grandes dificuldades, o que quase resultou em sua insolvência.

No primeiro trimestre de 2018 a Log-In voltou a auferir lucros impulsionada por uma maior demanda por serviços de navegação costeira – cabotagem – e pelo aumento da demanda em seu terminal de contêineres localizado em Vila Velha.

Em junho a empresa concluiu um aumento de capital que resultou na entrada de, aproximadamente, R$ 26 milhões de reais no caixa da companhia.

A empresa também concluiu as renegociações de suas dívidas. Junto ao setor bancário essa renegociação resultou no parcelamento de 40% de suas dívidas com os bancos, que totalizam cerca de 499 milhões de reais, em pagamentos mensais até maio de 2023, quando, em uma única parcela, será pago o restante da dívida.

Com o BNDES sua dívida, que seria paga ao longo do período entre janeiro de 2018 até dezembro de 2020, teve seus vencimentos adiados para o período entre janeiro de 2021 até junho de 2031.

A partir do aumento de suas receitas e de sua volta a lucratividade, cumulada com a renegociação de suas dívidas, a empresa passou a chamar atenção de fundos de investimento.

O Fundo Alaska, famoso por ter adquirido ações do Magazine Luiza antes da impressionante subida de mais de 5.000% dos papéis, informou em 28 de maio que detinha 35,36% da empresa, o fundo continuou adquirindo ações da empresa ao longo de 2018, culminando, como mencionado anteriormente, na aquisição do controle da Log-in, 50,01% das ações, em 14 de setembro.

A greve dos caminhoneiros, que resultou na instituição de uma tabela com valor mínimo a ser cobrado para o transporte rodoviário de mercadorias, embora com regras ainda pouco claras, pode resultar no aumento da utilização da navegação costeira como forma de transporte de mercadorias.

Por outro lado, notícia da Folha de S. Paulo da última semana menciona a possibilidade da abertura do setor de cabotagem regional, hoje fechado para estrangeiros, para empresas europeias no âmbito de um possível acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

Dessa forma, a Log-in pode ser um dos maiores casos de valorização na bolsa dos próximos anos. A aquisição do controle da companhia por um fundo de value investing tão bem-sucedido quanto o Alaska reforça essa impressão.

Entretanto, os riscos do investimento na empresa ainda são evidentes: As dívidas, apesar do vencimento adiado, continuam altas, e paira a ameaça da possível abertura do setor de cabotagem regional para companhias europeias. No entanto, os dois eventos dificilmente devem influenciar os resultados da empresa no restante do ano de 2018, que prometem, baseado em depoimentos dos próprios executivos da companhia, ser extremamente positivos.

Por fim, cabe notar que o valor de mercado de 100% da empresa hoje na bolsa, mesmo com uma expressiva valorização recente, é de R$ 160 milhões de reais, enquanto em 2013 a Vale alienou cerca de 30% da empresa, como já mencionado, por R$ 234,8 milhões de reais.